Família Queiroz Pinto de Barros Fornari de Aguirre
Histórico fotográfico
v1.3 - outubro de 2009
Na casa da rua Barão de Tatuí, 220 (Santa Cecília,
São Paulo), onde eu cresci, minha avó Helena tinha uma caixa grande
de papelão onde ela guardava as fotos da família. Havia também
uma caixa de biscoitos, de metal, com negativos. Depois da morte de minha avó,
essas caixas ficaram com minha mãe, que, além de montar e entregar,
anos atrás, um álbum da respectiva infância para cada filho,
talvez tenha se desfeito de uma parte das fotos. Examinando as caixas após
a morte da minha mãe, não encontrei mais muitas fotos que me lembro
de ter visto quando pequeno: fotos com parentes do ramo de Jundiaí (por
exemplo, do centenário do Tio Jeca), outras do casamento da minha mãe
(essas ela deve ter descartado depois da separação), outras de
passeios em Santos/São Vicente quando eu devia ter 4 ou 5 anos. Por outro
lado, a maioria dos negativos eu nunca havia visto em papel e eles foram, assim,
um acréscimo inesperado ao acervo que eu imaginava encontrar. Esta seleção
inclui fotos e negativos digitalizados das caixas, dos álbuns de infância
e também fotos que eu mesmo tinha guardadas, e vai até 1975, antes
de meus irmãos e eu começarmos a constituir nossas próprias
famílias.
Para que a ordem alfabética dos nomes das fotos coincidisse com a cronológica,
eles iniciam com o ano (às vezes resultado de adivinhação),
depois o mês (se sabido) e por último o dia (idem). Aqui e ali
inseri um caractere não numérico, no lugar de um algarismo incerto
ou para forçar a ordem mais provável entre fotos de um mesmo ano
ou mês.
No processo de organizar e documentar estas fotos eu acabei lembrando,
entendendo melhor e encaixando num todo mais coeso várias coisas
esparsas que eu sabia sobre nossa família, e procurei registrar
aqui todas as informações que considerei de interesse sobre
as pessoas e os locais, indo além do que as fotos mostram. Espero
que este trabalho possa proporcionar aos meus filhos (e também sobrinhos,
primos e mesmo irmãos) um pouco mais de “familiaridade” com
seus antepassados deste ramo da família.
José Luiz de Barros Aguirre – 2007/2009
1900 Nhá Tuca
Minha
trisavó Gertrudes (1840-1915) nasceu em Piracicaba (ela era “dos
Queiroz”, segundo minha mãe) e, já crescida, foi para Cotia
ajudar uma tia que tocava lá uma propriedade rural. Lá conheceu
Bento Pinto, imigrante português da Serra da Estrela, que tinha um armazém.
Casaram-se (ainda segundo minha mãe, para desgosto da tal tia, que perdeu
uma auxiliar valiosa) e foram pais de Maria da Conceição Pinto
(“D.Mariquinha”), que se casou com Luiz de Castro Barros, que fez
carreira na Cia. Paulista de Estradas de Ferro, e por sua vez foi mãe,
entre quatro filhos (pelo menos que tenham chegado à idade adulta), de
minha avó Helena. Nhá Tuca, segundo minha mãe, era a “avó
predileta” de minha avó. Dos seus avós paternos, meus outros
trisavós, nem os nomes eu me lembro de ter sabido. Outro filho de Bento
e Nhá Tuca, Antonio Pinto, deu origem ao “pessoal do Brás”,
com quem se perdeu contato talvez ainda antes de eu nascer. E acredito que eles
tiveram também uma outra filha que se tornou freira: encontrei entre
os guardados de minha mãe uma carta de 26/11/1893, escrita em Guaratinguetá,
de Anna do Nascimento Pinto ao “meu bom pae”, fazendo menção
a mãe, irmã e irmão ao longo do texto, infelizmente sem
citar nomes. Que ela era freira (ou pelo menos noviça), concluí
pelo teor da carta. Só me surpreendeu o sobrenome “Nascimento”.
Talvez o último sobrenome de solteira de Nhá Tuca não fosse
Queiroz, a despeito de ela ser “dos Queiroz”. Quem sabe ela nasceu
Queiroz do Nascimento. Ou quem sabe o “Nascimento” era do meu trisavô
e Nhá Tuca não teve sobrenome passado para os filhos. De qualquer
modo, me acostumei a pensar em Nhá Tuca como Gertrudes Queiroz e que
assim fique.
190305 Helena

Helena
de Barros nasceu em 12 de maio de 1895, não sei se em S.Paulo ou Jundiaí,
como primeira filha do casal Barros. Esta é a foto mais antiga que encontramos
dela. É pequenininha, com 3,5x6,5 cm. Atrás está escrito
apenas “8 anos – Helena”, e parece ser a letra dela mesma,
embora ainda não “amadurecida”.
19060319 Helena 1ª Comunhão
Acho
que foi o pai dela quem anotou atrás da foto, mas ela é que assinou,
já com a letrinha desenhada que manteve a vida toda.
1907 Helena na Escola

A
foto tem anotado atrás apenas o ano. Apesar de colada num papel cartão
decorado, não traz o nome da escola. A vó Helena aqui tinha 12
anos.
1908 Casal Fornari
Meu
bisavô Francesco Fornari veio da Itália (de um vilarejo chamado Castelnuovo,
província de Luca, na Toscana), com o pai, Giuseppe, para Cabreúva,
região de Jundiaí, em 1880, com 14 anos. Casou com Francisca Dias,
que tinha apenas 16 anos, provavelmente no início de 1893, pois o primogênito
deles, meu avô Roque, nasceu no final daquele ano. Aqui, segundo a anotação
no verso, eles estão com a filhinha Escolástica (a tia "Colaca").
Depois dela vieram outros, inteirando oito filhos (pelo menos que tenham chegado
à idade adulta). Francesco morreu com menos de 60 anos, em 1923. Francisca,
depois de viúva, foi morar com Colaca numa casa da Rua do Rosário
e lá faleceu, em 1953 ou 1954.
19120511 Lourdes&Bento

Maria
de Lourdes Barros, irmã menor (nascida em 5/9/1904) da vó Helena,
teve em criança uma encefalite que comprometeu seu desenvolvimento
mental. Bento Pinto de Barros foi o caçula de Luiz e Mariquinha.
1916 Luizinho EUA
Segundo
filho de Luiz e Mariquinha, Luiz Pinto de Barros foi estudar Engenharia nos EUA.
Na foto, ele é o primeiro em pé, à esquerda. Minha vó
Helena contava que ele saiu ensaboado da primeira ducha no alojamento dos estudantes
– a água era temporizada e ele, acostumado no Brasil a longos e tranqüilos
banhos, não sabia. Entre os guardados de minha mãe encontramos algumas
cartas dele ao pai no Brasil (quase todas pedindo reforço na ajuda financeira...).
19161130 Helena Formatura

Foto
da formatura do Normal, em Campinas.
191908 Mariquinha e Helena
Atrás
está anotado “Grupo Escolar ‘Conde de Parnahyba’ –
Jundiahy Agosto 1919”. É um grupo de professores. Minha mãe
disse para minha irmã que nesse ano a bisa já era diretora e não
dava mais aula, e que a vó estava como professora substituta. Então
a família Barros morou mesmo um bom tempo em Jundiaí, e foi provavelmente
lá que meu vô Roque conheceu minha avó.
1919x Roque Fornari

Meu
avô Roque Honorato Fornari nasceu em 22 de dezembro de 1893 em Jundiaí
(não achei nenhuma foto da infância dele; se as havia, devem
ter ficado com os pais dele) e faleceu em 15 de maio de 1960 na casa da Barão
de Tatuí,
em São
Paulo. A data da foto deve ser a do noivado com minha avó Helena (a
anotação
estava no verso e eu transcrevi na frente em negativo). O casamento foi no
ano seguinte (vide 19201002).
192_ Família Fornari
Minha
avó Helena escreveu atrás desta foto apenas "Família
Fornari", sem data. Penso que são três das filhas de Francesco
Fornari (esq.->dir. certamente a sorridente Colaca, talvez Lila e acredito
que Joana) rodeando o pai. Se forem realmente essas, faltam os filhos Roque, Francisco
("Quico"), Eulália (“Lala”, que se tornou freira),
Helena e Pedro. Não consegui saber quem seria o homem sentado na calçada.
192_ Francesco&Pedro

Francesco
devia ser algo narcisista ou então Francisca muito caprichosa –
notem as iniciais “F.F.” no bordado do encosto da namoradeira. Pedro
Clarimundo Fornari (28/8/1914 – 22/6/1979) foi o caçula entre os
filhos homens de Francesco e Francisca. Uma menina, Rosária, nasceu em
1917 mas morreu com apenas dois anos. Tio Pedro se formou professor e fundou
em Jundiaí um colégio – o Colégio Anchieta –
que cresceu até virar faculdade.
19200603 Roque
Esta
foto não tem nenhuma anotação, exceto pela data e assinatura
de meu avô.
19201002 Família Barros

Atrás
da foto minha vó Helena escreveu apenas “Helena de Barros”
e datou 2/10/1920. Minha mãe acrescentou “Dia do casamento com
Roque Fornari”. Será que o bisavô Luiz quis uma última
foto com os filhos ainda todos solteiros? Minha tia Mara me disse que ele
era contra o casamento, por achar Roque um “bon vivant”. Talvez
ele tivesse razão – meu avô mencionava que tinha estudado
Engenharia na Politécnica, mas não concluiu o curso e nunca
comentou por quê; além disso, os conceitos de física
que ele possuía
eram bastante falhos (uma vez ele me disse, para minha estranheza mesmo com
apenas oito ou nove anos de idade, que o avião não caía
porque “a
velocidade dele era maior do que a força de gravidade”) e a única
coisa que me lembro dele ter me contado do que aprendera de Engenharia
foi que três pontinhos em triângulo significam “donde”.
Ao redor dele e da bisa Mariquinha estão os filhos: minha avó,
Tia Lourdes, Tio Luizinho e Tio Bento.
19220406 Zezé
A
foto mais antiga que encontrei de minha mãe. Maria José de Barros
Fornari nasceu em 27 de agosto de 1921 em São Paulo e faleceu em 28 de
agosto de 2005 no apartamento das Perdizes. Aqui ela está com quase 8 meses.
Foto tirada na Photographia Central, R. Barão de Itapetininga, 29, S.Paulo.
19220827 ZezéNiver1

Mamãe
ao completar 1 ano.
1923 Casal Barros
D.Mariquinha
(23/9/1869 – 06/2/1953) parece ter sempre tido essa expressão sofrida.
Luiz (16/7/1870 – 04/2/1951), por seu lado, era "todo pomposo”,
nas palavras de minha mãe. Minha avó me contou que ele foi maçon
por bastante tempo, mas abandonou a fraternidade a pedido da mulher.
1923 Roque

Ano
em que nasceu o filho Joanito.
19230_ Zezé e Noêmia
A
foto não tem data, mas mamãe parece ainda não ter 2 anos.
Noêmia era prima de minha vó Helena, mas não sei em que grau
nem por parte de quem. Ela parece ter sido presença freqüente na família
de minha avó.
19230827 ZezéNiver2

Mamãe
com 2 anos.
19231_ Zezé e Joanito
João
Benedito de Barros Fornari, único irmão de minha mãe, nasceu
em 24/6/1923 e faleceu em 18/4/2005. Aqui ele tem uns 5 meses. A foto, segundo
anotação atrás, foi tirada em S.Paulo.
192311 Zezé

Mais
uma foto sem data, mas pela aparência de mamãe em comparação
com outras fotos, deve ter sido tirada no final de 1923. Na cestinha há
uma efígie do Menino Jesus de Praga.
19231116 Zezé
A
letra na anotação da data é do vô Roque.
19231221 Zezé

A
data, anotada atrás, é da véspera do 30º aniversário
de meu vô Roque. A cadeirinha parece ser a mesma que aparece na foto com
o Joanito aos 5 meses (19231_).
19240531 Zezé
A
data é a única coisa anotada atrás, na caligrafia caprichada
da vó Helena.
1924x? Andrés

As
três únicas fotos que achei de meu pai na infância (aliás,
eu nunca as tinha visto: elas estavam num maço de negativos guardados
na caixa de metal). Andrés Abelardo Aguirre Pinto nasceu em Santiago
de Chile em 4 de agosto de 1920, caçula entre oito filhos dos quais só
conheci cinco: dois morreram muito pequenos e uma terceira morreu aos 19 anos.
Aqui ele parece ter uns 4 anos.
1924x? Andrés e Aldo
Esta
é a melhor foto das três. Meu pai não se lembrava dela, mas
reconheceu o irmão Aldo (atrás, com boné). A dúvida
que fica é: será que aconteceu um tombo logo após a foto
ou alguém conseguiu segurar a bicicleta a tempo?
1924x? Andrés, Elvira etc

Desta
meu pai se lembrava. Ao fundo estão minha “abuela” D. Elvira
e minhas tias Lila e Violeta. Correndo atrás de meu pai aparece a Dolores,
a irmã que morreu jovem. Foi num parque chamado “Quinta Normal”,
em Santiago (próximo à casa de Herrera 1263, onde ele cresceu).
Recentemente meu pai me contou que naquela época era tratamento comum
chamar-se os meninos “Andreses” (ele inclusive) de “Andrés-peras-cocidas”,
porque no dia de Sto.André (30/11) as peras estão ainda verdes
e precisam ser cozidas para comer. Para completar a lógica, é
preciso saber que no Chile o onomástico é (ou pelo menos era)
data mais significativa que o próprio aniversário da pessoa.
1925 Família Barros
O
casal Barros morou durante muitos anos num sobrado na Rua Apa, nº1, um dos
vários imóveis adquiridos por Luiz de Castro Barros naquela vizinhança
em São Paulo. Nesta foto aparecem José de Castro Barros (Tio Jeca,
irmão mais velho de Luiz e uma figura meio folclórica que quando
jovem “saiu pelo mundo”, só reaparecendo muitos anos depois,
e que, para coroar, viveu até os 104 anos. Eu estive na festa dos 100 anos
dele na casa da filha Diogina, em Jundiaí, e cheguei a ver algumas fotos
da ocasião, que não sei onde foram parar), o filho Bento, Luiz,
D.Mariquinha, a filha Lourdes e Rosinha Chaves, mineira de Ituiutaba e futura
esposa do outro filho, Luizinho (não sei como se conheceram – talvez
em S.Paulo mesmo, via amizades), que não está na foto.
1925 R.Apa nº1

No
mesmo ano e local, com visitas. No centro, Helena segurando Joanito, com 2 anos.
Clockwise from 12: Luiz, D.Mariquinha Corrêa (amiga da família),
Tia Lourdes, Iracy (sobrinha de D.Mariquinha Corrêa), Noêmia e D.Mariquinha.
19250301 Zezé
Mamãe
aparentemente bem morena de sol, já no Guarujá, no “chalé
12”, o primeiro dos 2 ou 3 em que moraram enquanto o vô Roque trabalhou
na Cia. Paulista de Estradas de Ferro (a mesma do sogro) naquela cidade. Esse
chalé ficava na beira da praia e uma vez a ressaca derrubou a mureta de
tijolos do jardim.
1926 Zezé e Helena

Foto
sem data, mas pela roupa de mamãe parece ser a mesma ocasião da
foto a seguir.
1926 Zezé
Mamãe
se lembrava de que ao tirar essa foto tinha 5 anos e que foi no “chalé
40”, no quintal. O laço da cabeça parece o mesmo usado na
foto de 16 de novembro de 1923.
19271012 Família Roque Fornari

Em
Guarujá, nas Astúrias, com o Ford "bigode" do vô
Roque. O irmão mais moço Francisco (Quico), com cigarro na boca,
estava visitando. A vó Helena ficou dentro do carro. Zezé e Joanito
nos paralamas.
19271012 Irmãos Fornari
Guarujá,
mesma ocasião: Pedro, o caçula entre os irmãos homens, Roque
e Quico, agora na praia das Pitangueiras, segundo a anotação no
verso.
19271212 Zezé 1ª Comunhão

A
foto foi tirada em Santos, alguns dias depois da comunhão, que foi em
8/12. Atrás, minha mãe “offerece aos bons avós, padrinhos
e tios”.
1928 Helena e filhos
Foto
escaneada de negativo, portanto sem data anotada, mas pelo tamanho das crianças
a época parece ter sido entre as duas 1as. Comunhões.
1928 Mariquinha, filhas e netos

Também
de negativo e aparentemente da mesma época. Minha bisa, minha avó
Helena com os filhos e minha tia Lourdes, parece que na beira da praia.
1928 Noêmia, Joanito, Zezé e Lourdes
Mais
um negativo e também aparentemente da mesma época. A caráter
para banho de mar.
1928 Noêmia, Lourdes, Joanito e Roque(!)
%7EGuaruj%E1$.jpg)
Também
negativo e provavelmente da mesma ocasião. Esta deve ser a única
foto que meu avô tirou na vida fazendo careta. Ele sempre assumia um ar
solene e dificilmente sorria.
1929 Joanito 1ª Comunhão
Apenas
o ano foi anotado na moldura.
1929 Luizinho

Minha
vó Helena escreveu atrás da foto: “Lembrança do noivado
de Luiz Pinto de Barros – S.Paulo 1929”.
192x Roque na Janela
Provavelmente
em casa, uma vez que estava sem paletó. Isso me lembrou minha avó
contando que o pai dela também tirava o paletó em casa, mas sempre
o colocava para sentar-se à mesa, em qualquer refeição.
192x Roque no Trabalho 1

A
função de meu avô na Cia. Paulista era de “guarda-livros”,
algo como contador. No entanto, a vestimenta e a pose eram de gerente-geral.
Estampa ele tinha. Pena que a carreira dele não durou muito tempo (ver
19350907). Pobre vovô.
192x Roque no trabalho 2
Parece
que na mesma sala (a divisória ao fundo parece a mesma), mas em outra ocasião
e outra escrivaninha. No cartaz atrás de meu avô se vislumbram dizeres
que, realçados no computador, permitem ler “Electrificação
da Estrada de Ferro do Guarujá” e “Santos, SP”.
192x Vista da praça

Incluí
esta foto apenas como registro histórico do Guarujá da década
de 20. Talvez algum dos edifícios que aí aparecem ainda existam
e possam identificar o local.
193_ Colaca Fornari
Escolástica
Fornari, nascida em 1907, nunca se casou, apesar de ser a mais expansiva e risonha
dos filhos de Francesco. Professora primária, entusiasta da alfabetização,
permaneceu morando com a mãe viúva em Jundiaí, na Rua do
Rosário, numa casa que tinha um quintal que me parecia enorme (ele realmente
ia até a rua de trás), com caminhos sinuosos entre moitas, jabuticabeiras,
galinheiro etc. e que eu gostava de explorar como se estivesse numa floresta,
quando ia com meu avô Roque visitar a bisa Francisca. Tia Colaca tinha na
casa um piano Pleyel (ver 195303) com teclas de marfim já amareladas, bastante
desafinado, mas que ajudou a despertar meu interesse por instrumentos musicais.
Lembro-me de meu avô ter ralhado comigo numa ocasião por ficar mexendo
no piano, e da bisa, uma figura difusa sentada numa cadeira de braços e
com uma saia escura (ou robe) que chegava até os pés, protestando:
“Roque, deixa o menino!...”. Depois da morte da mãe, pouco
tempo depois disso, Tia Colaca continuou na casa, apenas com uma acompanhante
(durante muitos anos essa acompanhante foi a “Maria”, uma filha natural
do meu trisavô Giuseppe), até falecer, em 22/11/1993. Eu gostava
de visitá-la, pois ela era sempre animada e divertida. Lembro de uma vez
em que ela pôs na vitrola um disco de “Saudades de Matão”
e saiu dançando pela sala, acompanhando a música.
193_ Joana Fornari

Também
nunca se casou e morava com a mãe e a Tia Colaca. Era muito religiosa.
Faleceu em Jundiaí em junho de 1950 após um derrame, precedendo
em dois meses o seu irmão Quico.
19310331 Filhos Fornari e prima
Zezé,
Joanito e Maria Luiza (primeira filha do tio Luizinho com a tia Rosinha) no Guarujá,
agora no “chalé 36”, poucos meses ou semanas antes da reviravolta
que se abateu sobre a família (ver a seguir). Meu avô perdeu o emprego
e minha avó precisou começar a trabalhar para ajudar a sustentar
a família.
19350907 São Carlos

Durante
a revolução de 1932, a vó Helena lecionou na zona rural
de Queluz (acho que foi o melhor que ela conseguiu) levando junto meu tio Joanito,
enquanto minha mãe ficou internada no Colégio Sta. Inês
em São Paulo. Foi um período muito duro, em que meu avô
Roque estava escondido, foragido da Justiça por conta de um desfalque
na firma (provavelmente levou a culpa pelo golpe de alguém mais esperto,
que armou contra ele aproveitando alguns deslizes “humanitários”
que o deixaram vulnerável. Eu me lembro dele me contando um certo dia,
como quem conta uma proeza, que vez ou outra anotava como liqüidada uma
dívida de terceiros não saldada, para ajudar algum conhecido em
dificuldade. Acho que ele gostava de exibir autoridade e condescendência,
mas não sei como ele esperava que isso permanecesse indefinidamente despercebido).
Minha mãe nunca me falou no assunto e foi evasiva nas vezes que perguntei.
A situação dele só iria se normalizar em 1946, ao prescrever
o crime de que ele fora acusado. Depois de Queluz, não sei exatamente
quando, minha avó deve ter conseguido um emprego melhor nesse Grupo Escolar
em São Carlos. Não me lembro de ter ouvido nenhuma história
relativa a esse período. Não sei, por exemplo, se meu tio ainda
estava com ela ou se ficou em São Paulo. Na foto, do corpo docente do
Grupo, ela está mais magra e ainda com expressão abatida.
19380514 Vila Friburgo
Depois
de São Carlos, minha avó Helena lecionou por muito tempo nesta escola
em Santo Amaro, que era longe mas permitiu que ela voltasse a São Paulo.
Ela precisava pegar duas conduções – bonde e trem –
para ir e voltar. Além desta foto, havia uma outra do ano seguinte, sem
minha avó, e nela aparecia nessa mesma parede, ao lado da porta, a placa
que inseri como destaque e que lê “Escola Rural de Villa Friburgo
– Doada à Sub-prefeitura de Santo Amaro pelo Snr. Georges Massier
– 19...” (os dois últimos algarismos parecem ser “35”).
1939 Zezé Formatura
Formatura
como professora no Santa Inês, apenas 2 anos depois de terminado o ginasial (conforme
o diploma emitido em 1937 e “santinho” comemorativo que ela guardou)
no mesmo colégio.
194_ Casal Aguirre Pinto

Esta
foto deve ser da década de 40. Meus “avós do Chile”,
Conrado Luís Aguirre Romero (“Don Lucho”, 29/4/1877-10/1/1958,
filho de Andrés Aguirre e Dolores Romero), e Manuela Elvira Pinto de
Aguirre (“D.Elvira”, 12/6/1879-12/1969, filha de Pedro Pinto e Eudocia
Velis), ambos da província de Copiapó, ao norte do Chile. Casaram-se
lá em 1905 e mudaram para Santiago entre 1915 e 1919, antes de meu pai
nascer. Sei disso pelo “Libreto de Registro Civil” da família
Aguirre Pinto, do qual meu pai me fez uma cópia, e onde consta que meu
tio Aldo nasceu em Puquios (cidadezinha na província de Copiapó)
em 1915 e o filho seguinte, a Dolores, de 1919, já nasceu em Santiago.
1943 Zezé Formatura 2
Formatura
em Pedagogia na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da
USP (na rua Maria Antonia). Naquela época ainda não existia o curso
de Psicologia, mas desde cedo ela, que começou a trabalhar logo em seguida
na mesma Faculdade, se envolveu com atividades e pesquisas na área de Psicologia
Educacional, em que mais tarde fez carreira e se pós-graduou, chegando
a Diretora do Instituto de Psicologia da USP. Em 22/8/1980 tornou-se membro fundador
da Academia Paulista de Psicologia, como titular da Cadeira nº 28. Aposentou-se
em 1984, depois de mais de 40 anos de serviço.
1944? Joanito e Zezé
Zezé
e Joanito talvez na primeira foto tirada na casa da rua Barão de Tatuí.
Estão no quintal, e atrás deles, junto à parede que fazia
divisa com o vizinho da direita, já crescia um pé de araçá
que apareceu em muitas outras fotos. A família se mudou da casa da
Rua Apa para essa casa, comprada por meu bisavô Luís e que por
herança seria de minha avó Helena, entre 1943 e 1944, ainda
antes que prescrevesse a acusação de meu avô Roque. Ele,
que segundo eu entendi havia passado os últimos anos confinado no sótão
da Rua Apa, passou a viver no porão do novo endereço, num cômodo
que foi forrado e taqueado para ele ter mais conforto.
1944? Joanito
Na
mesma ocasião, Joanito sentado na amurada que dava para o quintal, perto
da porta da sala “do meio”. Nesta foto e na anterior “enxertei”
no negativo escaneado sobre papel branco (resultado bem ruim para negativos mais
escuros como este) a parte que um laboratório fotográfico conseguiu
copiar em papel. O equipamento que eles têm hoje não comporta integralmente
o negativo 6x9.
19440630 Família Pinto de Barros

Foto
das bodas de ouro de Luiz de Castro Barros e Maria da Conceição
Pinto de Barros, acredito que ainda na casa da Rua Apa. Toda a descendência
e agregados estão presentes, exceto meu avô Roque, que ainda “não
podia aparecer” (único comentário de minha mãe quando
a questionei). Na fila de trás: os netos Luís Carlos e Maria Isabel,
filhos da nora Constança, que vem a seguir; o neto Joanito, as filhas
Helena e Lourdes, a nora Rosinha, a neta Zezé e os netos Maria Luiza
e Amaury, filhos de Rosinha. Sentados: o filho Bento (marido de Constança),
o casal Barros e o filho Luizinho (marido de Rosinha). Na frente, os netos Afonso,
caçula de Bento, Bernadete, caçula de Luizinho, e Bentinho, também
filho de Bento.
1946 Andrés Abelardo Aguirre Pinto
Foi assim
que minha mãe conheceu meu pai. Nascido em 4/8/1920 em Santiago
de Chile, ele era o caçula de 5 irmãos ainda vivos entre 8 nascidos
– Estela Elvira (de 1906, que morreu com poucos dias), Luís (Manuel
Luís, músico e compositor, 1907-1997), Violeta Grimanesa (1909-2004),
Lorgio Hernando (1911-1912), Lila (Aura Lila Eudocia, 1913-2005), Aldo (German
Edgardo, 1915-1991), Dolores Clorinda (1919-1938) e ele. Ele veio para São
Paulo em fevereiro de 1946 com uma turma de colegas numa viagem de formatura
que deveria durar uma semana, mas ficaram retidos aqui por cerca de um mês
devido a uma greve ferroviária. Durante esse tempo, conheceu e “pintou
o clima” com minha mãe.
1946 Família Aguirre Pinto e 19460421 Andrés

Na
varanda da “quinta”, a casa do clã Aguirre em Santiago (calle
Nueva de Matte 2472), para onde a família se mudara recentemente. O
terreno tem (a casa ainda está com a família) 40m de frente por
100 de fundo. Na fila de trás, tio Aldo, tia Lila, o marido dela (Edmundo
Pérez),
tia Violeta e o marido (Gustavo Meza). Sentados, tia Maria (mulher de Aldo),
meus abuelos e Haydée, irmã
de D. Elvira, que morava perto. Em pé à esquerda, o tio Luís.
Eu nunca tinha visto esta foto em papel, e presumi inicialmente que o ano fosse
1949 por ser meu pai o único irmão ausente e tio Luís
aparentemente ainda solteiro (ele se casou pela primeira vez acho que no final
de 1949, pois seu filho Luchito era cerca de um ano mais novo que eu). Ao ver
esta foto, meu pai disse que a primeira menina embaixo à esquerda é a
Gloria, filha da tia Lila, as duas da direita são Clara e Angélica,
da tia Violeta, e os meninos deviam ser do tio Aldo. Em visita recente ao primo
Manuel Luís, filho do tio Aldo que mora em Valinhos, fiquei sabendo
que os meninos são mesmo todos do pai dele (esq->dir Manuel, Mario,
Hernan e Juan, em ordem decrescente de idade) e que a menina no colo da tia
Maria é a
Loli. Mais tarde descobri pela Esther, caçula do tio Aldo, que a Loli é de
fevereiro de 1946. Então provavelmente foi meu pai quem bateu esta foto,
logo depois de voltar ao Chile, para mandar um retrato da família toda
para minha mãe, e por isso é que não aparece nela. Certamente
é da mesma ocasião e finalidade a outra foto, no mesmo local e só com
ele, em cujo verso ele escreveu “Em
um rincón de mi casa” e datou 21/4/1946.
1946? Família Barros Fornari.
Meu
avô Roque finalmente livre da clausura e de novo numa foto com a família.
É outra vez no quintal da Barão de Tatuí, casa em que nascemos
e crescemos meus irmãos e eu. Aqui morou meu pai enquanto casado com minha
mãe (de 1948 a 1972). Meu tio saiu ao casar, em janeiro de 1949. Meu avô
viveu aqui até falecer, em 15 de maio de 1960. Eu saí “mesmo”
em abril de 1974, quando, trabalhando no INPE em S. José dos Campos desde
formado mas passando os fins-de-semana em S. Paulo, fui transferido para Cachoeira
Paulista e montei apartamento em Lorena. Minha avó, minha mãe e
meus irmãos continuaram lá até meados de 1975, quando mudaram
para o apartamento das Perdizes, na Rua João Ramalho, que ficou para minha
irmã e onde faleceram minha avó em 25/11/1979 e minha mãe
(em São Paulo para tratamento dentário, vinda de Piracicaba, onde
morava desde 1985) em 28/8/2005.
19460x? Zezé e primas

Minha
mãe em visita a Jundiaí com a prima Maria Isabel (filha do Tio
Bento, irmã de minha vó Helena). As outras duas são as
primas Cida (segurando o joelho) e Ester, filhas da tia Lila, irmã de
meu avô Roque. O lugar é a frente da casa da Tia Lila na cidade,
na rua Marechal Deodoro, 69 (onde mora até hoje a prima Cida). O marido
dela, o tio Dito, tinha também um sítio que foi, segundo alguém
me contou, o primeiro local em que meu avô se refugiou em 1931-1932.
19460x? Zezé e Maria Isabel 1
Talvez
a mesma ocasião. Pelas roupas, parece inverno. Dá para distinguir
“Salão Orchidea” na placa da casa ao fundo. O primo Geraldo,
outro filho da tia Lila, lembrou (!) desse salão e do local, o antigo Largo
Santa Cruz, hoje Praça da Bandeira. Meu bisavô Francesco foi dono
de vários imóveis naquela praça (começando com o “empório”
que ele possuía e de que meu avô Roque me falou algumas vezes) e
alguns familiares ainda residiam ali. A árvore, uma figueira enorme de
que o Geraldo também se lembrou, não existe mais.
19460x? Zezé e Maria Isabel 2

As
roupas são as mesmas, portanto pode ser o mesmo dia, mas agora já
esquentou. O local talvez seja o sítio do Tio Dito.
19460x? Zezé na Rua do Rosário
Essa
eu sei onde é: a varandinha na frente da casa da Bisa Francisca. Acredito
que ainda é a mesma ocasião.
19461x Zezé em Santiago

Mamãe
foi para o Chile no final de 1946 conhecer a família do futuro marido
(aproveitando um curso de verão promovido em cooperação
entre a Faculdade onde ela trabalhava e a Universidad de Chile), e ficou até
março de 1947. Esta foto foi tirada num estúdio em Santiago. O
timbre é da “Prontofoto”, Huérfanos 940.
19461x Zezé e Aguirres
Mamãe
com meu pai e familiares. Sentadas estão (identificação
feita pelo meu pai) Mañunga, prima de minha abuela Elvira, Maria (casada
com meu tio Aldo) com dois de seus filhos, tia Lila com sua filhinha Gloria
e Haydée
(irmã de D.Elvira) com provavelmente outro filho do tio Aldo (ele e a
tia Maria tiveram onze entre 1940 e 1961, sem contar um "contrabando" - o primo
Aldo, de 1951 - que ele teve com outra mulher e que a tia Maria cristãmente acolheu).
1947 Zezé e lago

Segundo
meu pai, uma parte do curso que minha mãe freqüentou no Chile foi
dada numa cidade da região dos lagos, 800Km ao sul de Santiago. Meu pai,
claro, foi junto. Este é o lago Llanquihue (sei devido à próxima
foto). Minha mãe está com o mesmo conjunto que usou em Jundiaí
com a Maria Isabel.
1947 Zezé e Osorno
Próximo
ao lago Llanquihue fica o vulcão Osorno, que aparece ao fundo e é
conhecido pela silhueta cônica quase perfeita. Comparando com fotos disponíveis
no Google Earth, o local desta foto parece ser perto de La Ensenada, um dos vilarejos
que circundam o lago.
19470919 Andrés Huaso


Acho
que meu pai tirou estas duas fotos caracterizado como huaso (o “vaqueiro”
típico chileno) como lembrança, quando já tinha decidido
vir para o Brasil. O “estúdio” foi um local turístico
adaptado para isso mesmo, que fornecia até a indumentária e a
datação das fotos, feita com giz no pote de barro que aparece
ao fundo. Interessante é que os negativos estão em chapas de vidro,
não em celulóide. Fotografei-os contra o Sol, com uma folha de
papel branco por trás, porque as copiadoras comerciais de hoje não
trabalham com negativos em placas de vidro.
19470x? Quinta dos Aguirres
Vista
da frente da casa do clã. Meu pai está no meio, rodeado de sobrinhos,
irmãs e cunhadas. Talvez tenha sido mais uma foto para lembrança,
antes de vir embora.
19471x Zezé e Andrés no quintal da Barão
de Tatuí

Meu
pai veio pela segunda e definitiva vez para o Brasil provavelmente no final
de 1947. Esta foto acho que é de logo depois da chegada.
19471x Zezé e Andrés atrás da casa
Na
escada do quintal, talvez no dia do noivado (olha as alianças!), que deve
ter sido pouco tempo após meu pai chegar, já que o casamento aconteceu
em janeiro do ano seguinte. A foto pegou minha avó a meio caminho de sair
pela porta da cozinha e carregando algo ou então varrendo, pois está
curvada. Se quisermos ser maldosos, podemos dizer que ela estava é vigiando
os pombinhos.
19471211 Família Chaves Barros

Tio
Luizinho e Tia Rosinha com os filhos Maria Luiza, Maria Bernadete e Amaury.
Tirada em Ituiutaba, onde eles moravam. Tia Rosinha fazia um doce de leite ma-ra-vi-lho-so,
que levava para nós em latas de cera (!) quando nos visitava em S.Paulo.
Nunca mais achei um doce igual. Depois de viúvo, Tio Luizinho veio morar
com o Amaury em S.Paulo, onde faleceu.
19471225 Casal Barros
Na
casa da Rua Barão de Tatuí, junto à porta da sala “do
meio” que dava para o quintal. Segundo minha mãe comentou com minha irmã,
nessa época
Luiz e Mariquinha moravam na “casa da rua Martim Francisco”, outra das adquiridas
por meu bisavô,
e vieram passar o Natal com os Barros Fornari (e com o futuro genro da filha
Helena).
1947 ou 1948 Casal Aguirre Pinto

Esta
foto eu me lembro dela: era 6x9 e por muitos anos ficou num porta-retrato de
madeira lá na Barão de Tatuí. São meus avós
do Chile no jardim da “quinta”. Meu pai deve tê-la trazido
com ele do Chile ou recebido logo após casar, pois em 1948 o porta-retrato
já estava na sala (ver 1948 Quem+4_1).
1948 Zezé, Andrés e Mara
No
quintal da Barão de Tatuí, na frente do pé de araçá
e vendo-se ao fundo o corredor lateral que dava para a frente da casa e a amurada
onde meu tio estava sentado na foto de 1944. Minha tia Mara (Maria Aparecida Franco)
namorava desde 1944 meu tio João, que trabalhava na firma do pai dela.
Aqui meus pais já estão casados (olha a aliança na mão
da minha mãe).
1948? Zezé e Andrés na frente da casa

Esta
era a fachada da casa da Barão de Tatuí. O quarto da frente ainda
era sala (concluo pelas cortinas nas janelas e pela porta aberta no alto da
escada). Não aparece na foto, mas no alto da fachada, integrado com os
arabescos em relevo, aparecia o ano da construção: 1903. As janelas
ao nível da rua dão para o cômodo onde ficou meu avô
e que meu pai depois transformou em oficina.
1948 Quem+1, Quem+3, Quem+4_1, Quem+4_2



Este
personagem meu pai não se lembra mais de quem era, mas era certamente chileno
e de alguma relevância, pela quantidade de fotos tiradas com todos os membros
da família e pela pose em Quem+4_1, em que ele e meu avô Roque estão
segurando as bandeiras do Brasil e do Chile. Pela presença de meu tio João
em Quem+3, deduzi que o ano era 1948, pois ele morou na Barão de Tatuí
só até casar, em 1º de janeiro de 1949. Na mesinha, ao pé
das bandeiras, está o porta-retrato com a foto de meus avós do Chile
mencionada agora há pouco. Ali também aparece um cinzeiro de bronze
com o brasão do Chile, de que também me lembro bem e que meu pai
fez enquanto cursava a Escuela de Artes Aplicadas do Liceo de Artes y Oficios
em Santiago. Incluí quatro fotos da mesma ocasião, apesar da qualidade
sofrível, mais pelo que mostram de como era a sala de visitas da Barão
de Tatuí (que eu não conheci como tal) antes de virar “quarto
da frente”. Em Quem+3 e Quem+4_1 aparece a porta que dava para o corredor
que levava ao resto da casa e dá para ver o quadro de força que
lá ficava. Na primeira e na última, as cortinas que aparecem cobrem as janelas que davam para a rua. Nas três últimas fotos "enxertei" no negativo escaneado a foto copiada
em laboratório, como fiz nas fotos de 1944 com meu tio e minha mãe.
19480? Zezé e Quem

Pelas
roupas a despeito do Sol (minha mãe mais uma vez com o conjuntinho
que usou no Chile) deve ser inverno. Com minha mãe está uma
colega de Psicologia de quem meu pai se lembrou – o nome dela
seria Matilde – mas que eu não
conheci. Não
consegui também descobrir o local. Talvez seja o Rio, na mesma ocasião
das fotos seguintes.
194807 A, B, C, D, E, F, G


Estes
negativos estavam num envelope onde minha mãe escreveu “Viagem
ao Rio – julho de 1948”. Era um congresso ou similar, de Psicologia.
Ela foi com as colegas da Faculdade, mas meu pai, que tinha ficado em São
Paulo, resolveu ir ter com ela. Com isso, ela teve de deixar o quarto que
dividia com amigas e mudar para um de casal com meu pai. Segundo minha irmã,
ela contou que “não achou muita graça” devido
ao aumento da despesa, que corria por conta dela, uma vez que meu pai estava
desempregado. Com minha mãe, racionalidade batia romantismo. Nas
fotos A, B e C, a moça de blusa escura é a Odette, colega
de minha mãe na
Faculdade desde o início e que eu cheguei a conhecer. A outra não
sei quem é. O local (que eu só descobri dois anos depois da primeira
versão desta página) é o hotel Quitandinha, em Petrópolis. Certamente um passeio
que elas fizeram durante o congresso. Ah, e descobri também que a foto A está
invertida.
Na
foto D estão minha mãe, a Odette e uma outra não identificada
com o Emilio Mira y Lopez, um dos primeiros figurões da Psicologia
no Brasil. Ele tinha fundado no ano anterior o Instituto de Seleção
e Orientação
Profissional (ISOP), órgão vinculado à FGV e dedicado à Psicologia
do Trabalho, e ficou à testa de sua iniciativa até sua morte,
em 1964.
1948 e 1949 Grupo Escolar Antonio Prado
Quando
abriu nesta escola uma vaga de professor primário, minha mãe, que
já trabalhava há alguns anos e economizava para essa possibilidade,
conseguiu pagar uma permuta para minha Vó Helena poder vir transferida
de Vila Friburgo. Este foi o lugar em que ela lecionou até se aposentar.
Era pertinho de casa (na rua Vitorino Carmilo, na Barra Funda) e dava para ela
ir e voltar a pé. Em abril de 1948 ela ainda parecia sob o efeito do cansaço
dos anos anteriores. Em maio de 1949 já estava ameaçando sorrir...
1949 Chácara 1 e 2


A
“chácara” era do “Seu Franco”, pai de minha
tia Mara, e ficava em São João Novo, área rural entre
Itapevi e São Roque. Foi para onde meu tio mudou quando casou. Na
foto vertical, meu pai e minha mãe. Na outra, meu pai, meu tio João
e um menino que, a julgar por uma outra foto não incluída aqui,
parece o Afonso, caçula do Tio Bento.
1949? Oficina 1 e 2

Estas
fotos minha irmã achou com a família no Chile e xerocou, mas os
negativos estavam na caixa de metal da minha mãe e com eles melhorei alguns
detalhes das xerox, que estavam muito escuras. Depois de perder o primeiro emprego
no Brasil (no Senai), meu pai resolveu trabalhar por conta própria e montou
uma oficina no porão da Barão de Tatuí (no cômodo onde
viveu meu avô). Abriu uma firma com o nome de fantasia “Ortofax”,
que no seu entender significava “bem feito”. Ele era extremamente
habilidoso com ferramentas e trabalhava diversos materiais. Entre várias
infra-estruturas iniciais construiu uma bancada de trabalho em madeira, montou
uma serra tico-tico, adaptou um armário antigo para guardar ferramentas
e fez um adaptador de bancada para furadeira de mão (tudo nestas duas fotos).
Mais tarde, seguindo um projeto que achou numa revista Popular Mechanics, construiu
uma serra de fita e, por último, com a ajuda de minha mãe, comprou
um torno sueco. Com a madeira da embalagem do torno (pinho sueco) fez lá
para casa, por ocasião da visita dos parentes do Chile em 1952, duas camas
de solteiro que podiam ser encaixadas uma sobre a outra formando um beliche (essas
camas eu e meu irmão usamos por muito tempo; levei-as para Lorena e foram
usadas por meus filhos enquanto pequenos). Nessa oficina ele fazia móveis
especiais, objetos de decoração, maquetes, cadeiras ortopédicas
articuladas para crianças com paralisia cerebral (ver 1957? Pai & torno),
aparelhos eletromecânicos para uso em laboratório de psicologia experimental
e uma variedade de outras coisas. Trabalhou nessa oficina até o final dos
anos 60, quando aceitou emprego numa fábrica de fios têxteis do sogro
do tio João e lá permaneceu até se aposentar. Nessa fábrica,
além de dar manutenção no parque instalado, ele projetava
e construía máquinas com base apenas em folhetos de divulgação
e descrições verbais de equipamentos vistos pelos diretores em feiras
e exposições. Certamente economizou muito dinheiro para a firma,
mas nunca pensou em registrar e patentear suas criações.
194909 José Luiz chegou 1
Meus
pais se casaram em janeiro de 1948. Minha mãe perdeu com poucas semanas
o bebê da primeira gravidez. Em 12 de setembro do ano seguinte, nasci eu,
José Luiz de Barros Aguirre, com quase 5 Kg que obrigaram o uso de fórceps
no parto. Nesta foto, provavelmente do dia de meu batizado, estão meus
bisavós ainda vivos na ocasião: Francisca (do lado do vô Roque),
Mariquinha e Luiz. Estou no colo da minha vó Helena. Entre as bisas, o
Tio Jeca. Fui o primeiro da “nova geração”. O segundo
foi meu primo João Carlos Franco de Barros Fornari, filho de meu tio João
com a tia Mara, que veio em 5 de novembro. Detalhe: o meu nome. Por que não
José Luiz Fornari Aguirre? Há duas versões, uma que minha
mãe me contou, outra que acho a mais provável. Segundo minha mãe,
ela tinha insistido com meu pai para, ao me registrar, não esquecer que
aqui no Brasil o nome do pai vem por último, ao contrário do Chile.
Ele realmente colocou “Aguirre” por último, mas teria se confundido
ao escolher o sobrenome materno e pegou o de minha avó em lugar do de meu
avô. A outra possibilidade é que minha mãe teria tentado me
poupar do “estigma” do nome Fornari, por conta do problema ocorrido
com o meu avô. De qualquer forma, para não ficar com sobrenomes diferentes,
os nomes de meus irmãos seguiram o mesmo esquema. O local da foto é
a sala “do meio” da Barão de Tatuí (a luz vem da porta
que dava para o quintal), portanto a sala de visitas já tinha virado “quarto
da frente”.
194909 José Luiz chegou 2
No
mesmo dia, dado que as roupas não mudaram, deve ter chegado para me conhecer
a família do Tio Bento, irmão caçula da minha avó.
Em pé esq->dir: Tio Bento, os filhos Luís Carlos (? estou em
dúvida, pois não parece com o que me lembro dele) e Maria Isabel,
Tia Constança (esposa do Bento), Tia Lourdes e (acho que) o terceiro filho
Bentinho. Falta o caçula Afonso.
194911 JL e pais

Com
meus pais, na mesma sala mas com o sofá em posição diferente,
aos ~2meses de idade.
194x 4 e 7 na fonte

O
envelope onde estavam os negativos dizia apenas “Paraná”.
Foi certamente algum outro evento de Psicologia, porque na foto onde
aparece minha mãe estão duas colegas de trabalho que cheguei a conhecer: à esquerda
está a
Carolina Martucelli Bori e ao lado de minha mãe a Maria Dulce Nogueira Garcez
(irmã do Lucas Nogueira Garcez que foi governador de São Paulo). Na outra
foto aparece a Odette, com vestido de bolinhas, e uma das que estavam no Rio
com minha mãe em 1948.
195_ Pai auto-retrato

Pelo
andar da careca, é a década de 1950, mas não sei que
ano. A máquina, eu não me lembro dela; de meu pai, a única
que tenho na memória era uma Yashicaflex TLR que usava filme 60mmm
e que ele manteve durante pelo menos uns 20 anos. Numa certa altura ele comprou
um flash para poder tirar fotos dentro de casa; era um trambolho com um refletor
de uns 15cm de diâmetro e empunhadura que precisava ser segurada na mão, pois
não dava para prender na máquina, e ligado numa bateria que devia pesar uns
dois quilos e ficava a tiracolo, depois de carregar por horas na tomada.
1950 G.E. Antonio Prado
Agora
a Vó Helena já usava óculos, mas o sorriso continua.
1950 Presépio Napolitano

A primeira exposição do Presépio foi em outubro de 1950,
na Galeria Prestes Maia. O contato do “conde” com meu pai para a tarefa
foi por intermédio de uma cenógrafa, Evarista Salles, que trabalhava
no projeto e morava perto de casa com a irmã, Ângela, que foi minha
primeira professora de piano. Os bonecos foram certamente cedidos para meu pai
poder dimensionar as miniaturas que produziu de acordo com cada personagem, já
que os inúmeros bonecos do presépio foram feitos por vários
artesãos diferentes, resultando em escalas não uniformes, variando
aproximadamente entre 1:5 e 1:8.
195003 JL no quintal
No
quintal da Barão de Tatuí, com 6 meses. O canteiro central (na minha
frente) ainda existia.
195006 JL com a mãe

No
corredor de entrada da casa, entre a porta da sala e a escada que começava
no portão de ferro batido.
195007 JL na sala
Na
sala de visitas, com um andador que serviu também para os meus irmãos.
O assoalho de tábuas corridas em dois tons sempre encantou todos os parentes
do Chile que nos visitaram.
19500912 JL

Foto
do primeiro aniversário, que foi usada num cartãozinho comemorativo.
195109 JL
Em
frente ao portão de casa. Com 2 anos, segundo a anotação
na margem da foto. O triciclo, de madeira, foi meu pai quem fez.
19510912 Família Barros Aguirre

No
dia dos meus 2 anos, com meus pais na Praça Marechal Deodoro, perto de
casa.
19520221 Roque, Zezé e JL em Serra Negra

No
Recreio Caruso. Minha mãe estava grávida de minha irmã Maria
Helena. Antes dela, em 12/8/51, havia nascido prematuro o Antoninho, que viveu
apenas algumas horas e foi batizado in extremis, ainda na maternidade, pela vó
Helena.
195204 Casal Aguirre Pinto

Em
Santiago, mais uma vez na varanda da “quinta”.
195204 JL e pais em Aparecida
Num
mirante perto da Basílica antiga, com o Rio Paraíba ao fundo.
195204 JL, mãe e avós em Aparecida

Em
frente à Basílica. A barriga de minha mãe já estava
visível.
195207 Abuelos na Barão de Tatuí 220
Em
julho de 1952, quando nasceu minha primeira irmã, meus avós paternos
fizeram sua primeira e única visita ao Brasil. Aqui eles estão com
meu pai e meu avô Roque no portão de casa.
195207 Abuelos no Itamarati

Na
rua de casa, no mesmo quarteirão, ficava o Cine Itamarati, que foi
desativado na década de 70 para dar lugar a um ponto comercial. Assisti
muitos filmes nesse cinema, a apenas uns 100 metros de casa. No dia desta
foto, estavam passando
“A Cigana me Encantou” ou algo assim.
195207 JL e MH e ancestrais
No
quintal da Barão de Tatuí, registrando a única vez que convivi
com meus avós paternos. No colo da vó Helena, minha irmã
Maria Helena, que havia nascido em 14 de julho e morreu no Natal do mesmo ano,
com apenas 5 meses. Os padrinhos de batismo foram os avós paternos, segundo
a certidão que minha mãe guardou. Eu estou “lendo” a
Cirandinha, uma revista infantil daquela época. O canteiro central já
foi substituído por um cimentado e o mato retirado; ficaram os buxinhos
(me lembro deles já maiores) e o pé de araçá.
195207 JL e MH e ancestrais 2

Na
ocasião foram batidas várias fotos mudando apenas a posição
dos personagens, que aparentemente não foram copiadas ou então
as cópias foram mandadas para o Chile. A partir dos negativos, escolhi
esta, em que meu avô Roque está sorrindo (raridade) e que ilustra
a possibilidade de seis adultos se sentarem em apenas quatro cadeiras.
195207 JL, Luchito e famílias
No
mesmo mês veio também ao Brasil meu tio Luís Aguirre Pinto,
músico e compositor bem conhecido no Chile, com a então esposa Erna
e o filho Luchito (Luís Francisco Aguirre Leo), que ficou algumas semanas
morando com a gente enquanto o pai corria o Brasil a trabalho (ou procurando).
Ele está no “automovinho”, o primeiro da minha “frota”,
que devo ter ganho talvez no Natal anterior. Aquele em que estou acho que era
dele e deve ter sido levado embora, pois não fez parte do resto da minha
infância.
195207 JL, Luchito e famílias 2

No
mesmo dia, não sei se antes ou depois. Desta ocasião também
foram feitas várias fotos, mas desta aqui é que recortaram o rosto
de meu avô Roque para fazer um porta-retrato quando ele faleceu. Ele está
sorridente e olhando para a câmera, o que era uma dupla raridade.
195207 Primos e avós
Meus
avós e meus abuelos junto com os netos. Meu avô Roque parece altão,
mas meu abuelo é que era bem baixinho. Deveria medir menos de 1,60m.
195208? JL, Luchito e pais


Erna,
Mamãe e Papai com Luchito e eu. Eu não me lembro, mas fizemos
algumas viagens a passeio durante a estadia deles. Estas fotos foram em Itu,
segundo anotação feita no envelope dos negativos.
19520x Abuelos e Onibus
Meus
abuelos também passearam bastante durante a estadia. No envelope em que
minha mãe escreveu “D.Elvira e D.Lucho aqui no Brasil” achei
negativos mostrando vários lugares da cidade (teatro Municipal, Museu do
Ipiranga etc.) e também paisagens praianas. Não sei se esta foi
a ocasião do embarque para Santos, mas achei interessante o visual do ônibus.
Naquela época ainda não se usava Estação Rodoviária
e os ônibus encostavam na calçada mesmo, mas as companhias ficavam
em endereços vizinhos. O ônibus parado é do Expresso Brasileiro
(EBVL=Expresso Brasileiro Viação Ltda.); na placa redonda mais atrás
dá para ler “Viação Rápido Brasil / S.Paulo
/ Santos / Ponta da Praia / Campinas”; e o pedacinho de letreiro que aparece
no cantinho superior esquerdo provavelmente é da Cometa.
19520x Abuelos a Passeio em SP


A primeira foto parece ser na Av. Nove de Julho, próximo à entrada
do túnel sob a Av. Paulista, vendo-se ao fundo o centro da cidade com
o prédio do Banespa. Estão meus abuelos e meu pai. Na segunda,
meu avô Roque está me segurando, acredito que no mirante sobre
a entrada do túnel.

Continuando
o passeio, as fotos restantes são no Parque Trianon, que fica na Av. Paulista
sobre o túnel da Nove de Julho (hoje, em frente ao MASP). Naquela época
ele não era cercado.
19520x Avós no ônibus

Meus
quatro avós, agora sim embarcando, talvez para Santos. O ônibus não
é o mesmo da outra foto: as janelas são diferentes.
19520x Luchito, André e família no aeroporto
Em
Congonhas, talvez quando meus abuelos embarcaram de volta para o Chile. Meu tio
Luís, mulher e filho voltaram mais tarde, de navio.
19520x Pai, Tio e rádio

Mais
uma foto que minha irmã trouxe do Chile em xerocópia. Meu tio
Luís com meu pai na oficina, experimentando um rádio multi-faixa
que meu pai montou a partir de um kit Geloso, que certamente não incluía
o gabinete. Anos mais tarde meu pai fez um móvel de verdade para embutir
esse rádio e um toca-discos “Perpetuum Ebner” que ele comprou.
Nele ouvi muitos discos durante a adolescência.
19520x Roque
Meu
Vô no quintal da Rua Barão de Tatuí. Esta foto não
tinha data e eu pensava que era do final da década de 50. Mas observando
as plantas junto ao muro em comparação com a foto a seguir (que
estava em negativo e eu nunca tinha visto), vi que as duas tinham de ser da mesma
época.
19520x Tio, Vô e 3 primos no quintal

Meu
vô Roque com o Antônio Luiz, terceiro filho de meu tio João,
que na outra foto segura o mesmo filho ladeado pelos dois mais velhos: João
Carlos (à direita) e José Roberto (à esquerda). Estes
dois foram os meus companheiros de infância mais constantes, e formaram
comigo anos mais tarde o Trio Âncora (“cada vez mais
pro fundo”) que
cantava nas festas da família acompanhado pelo meu violão,
arriscando até algumas
composições próprias como “Solidão”
e “O feijão tá caro”.
19521_ Zezé e Maria Helena
Esta
foto estava em negativo e eu não conhecia. Não sei que local é
esse. Mãe e filha poucas semanas ou dias antes de minha irmã morrer.
Ambas parecem tão felizes...
19521214 JL e Maria Helena

Na
janela do quarto dos fundos da Barão de Tatuí, que mais tarde
virou sala de jantar com a abertura da parede que o separava do corredor. Atrás,
dá para ver um pedaço do espelho bisotado de um criado-mudo que
acho que era da Tia Lourdes. O criado-mudo depois ficou para mim (vide foto
de 19731_), enquanto eu morei na Barão de Tatuí.
19521214 JL e Maria Helena 2
Mesma
cena, agora dando para ver que alguém (provavelmente minha mãe,
pelo esmalte das unhas – eu nunca vi minha avó de esmalte) estava
escondido por trás segurando minha irmãzinha. A foto anterior, que
era a que eu conhecia, sempre me deixou com essa dúvida.
19521214 Maria Helena e pai

Na
mesma ocasião. Meu pai está de costas para a janela onde estávamos
sentados. A porta e a janela basculante que aparecem na foto davam para a sala
de estar.
19521214 Maria Helena com anotação da Vó
No
mesmo lugar. Ao lado, montei o verso da foto, escrito pela minha vó Helena.
Minha irmã estava fazendo 5 meses e iria morrer daí a 11 dias. Não
ficamos sabendo o que foi; sem nenhum quadro prévio, ela teve uma febre
altíssima, sofreu convulsão e morreu em questão de horas.
Não me lembro de nada de minha irmã Maria Helena, a não ser
a cena dela já morta, deitada na cama no quarto de minha avó, com
uma touquinha branca.
195301 JL em Poços

Em
Poços de Caldas, onde fomos todos (pais, vós e eu) passar uns
dias para minha mãe se distrair da morte da filhinha. Na varanda (provavelmente
lateral) do hotel onde ficamos. A igreja que aparece ao fundo é a Catedral
e ainda existe; no lugar onde deveria estar o hotel agora só existem
prédios comerciais.
195301 JL&Mãe
Na
mesma ocasião, em frente ao Palace Hotel, que fica ao lado das Termas,
no centro da cidade.
195301 JL&Pai

Mesma
ocasião. Não foi anotado o local.
195301 JL&Táxi
Encontrei em negativo. Me
lembro vagamente de um carro escuro que costumávamos usar nos passeios
em Poços. Certamente era este.
195301 JL&Vó

Também de negativo. Parece
que no mesmo local, com minha vó Helena.
195301 JL&Vô1
Ainda
Poços, a passeio no hotel Country Club.
195301 JL&Vô2

Mesma
ocasião. Parece que esta rua é a de trás do nosso hotel
e da Catedral. Hoje, os morros ao fundo estão cobertos de casas.
195301 JL&Vô3
No
quarto do hotel em Poços, com meu avô lendo para mim como costumava
fazer sempre em casa. Eu lembro que, em São Paulo, toda terça-feira era dia de Pato Donald
na banca perto de casa (na Rua Baronesa de Itu), e ele sempre comprava para eu “ler”
com ele. Minha mãe me contou que eu sempre pedia para ele me mostrar onde
é que estavam escritas algumas palavras que ele me lia, tipo “Bum!”,
“Crás!” etc.
195301 Mãe e Vó

Não
achei nenhuma foto em papel com minha avó em Poços, e cheguei
a pensar que ela tinha ficado em São Paulo. Este negativo foi o primeiro
que encontrei com ela e o que me tirou a dúvida. Aqui se vê bem
como minha mãe parece abatida.
195301 Vô e Vó
No
quarto do hotel, também de negativo. Meu avô tirou esta foto frente
ao espelho da penteadeira. Acho que é a única foto que existe apenas
com ele e minha avó. Fiquei cismado com o aparente formato fora-de-esquadro
do quarto, até me dar conta de quem está certamente desalinhado
em relação às paredes é a penteadeira e respectivo
espelho.
195301 Vô Roque de perfil

Em
Poços, na janela do quarto do hotel. Acho que a única foto posada
dele nesse ângulo. Escaneei o negativo com uma lanterna por detrás,
mas a paisagem lá fora ficou quase totalmente branca. Mandei fazer cópia
em papel, e aí foi meu avô que ficou apenas em silhueta. Esta é
uma montagem com o melhor de cada uma das tentativas.
195302 Represa
Depois
da volta de Poços, sempre procurando animar minha mãe, fizemos vários
passeios nos arredores de São Paulo. Acho que este foi um deles. Minha
avó Helena parece estar de luto. Pela ocasião, deve ser pela morte
recente (6 de fevereiro) de sua mãe, D.Mariquinha. Acredito que depois
disso é que a Tia Lourdes, a primeira à esquerda, mudou para a Barão
de Tatuí, onde viveu conosco até 1957 ou 1958, quando a família
resolveu interná-la no “São Camilo”, casa de repouso
tocada por religiosas no bairro Parada Inglesa, onde ela tinha um quarto privativo
com banheiro e onde ficou até falecer, em 10/3/1979. Todo mês minha
avó ia vê-la, e muitas vezes me levava. Era um lugar com um jardim
grande e muitas árvores.
19530225 JL&JC&JR

No
quintal da Barão de Tatuí, eu e os dois primos mais velhos, João
Carlos e José Roberto, meus companheiros da infância. O “automovinho”
já está bastante surrado. O João (à esquerda) está
no meu velocípede. O que está com o Zé acho que era deles.
195303n JL e piano da Bisa
Este
era o piano, provavelmente da Tia Colaca, que ficava na casa da bisa Francisca.
Dá para ler “PLEYEL” na plaquinha . Estou com “3½
anos”, segundo o que Mamãe escreveu na borda da fotografia. Me lembro
da bronca do vovô para não mexer e do protesto da bisa, mas não
de terem tirado foto. Talvez tenha sido em outra ocasião.
19530xn JL na janela

No
peitoril da janela do “quarto da frente” da casa da Barão
de Tatuí. Ficava alto em relação à rua e de lá
eu passava tempo observando o movimento dos carros, dos passantes, das brincadeiras
das crianças da rua ou, quando chovia, os papeizinhos, folhas e gravetos
que a enxurrada trazia. Minha mãe nunca me deixou brincar com “os
moleques” (havia vários cortiços na vizinhança),
mas isso não parecia me fazer falta. Eu só invejava uma menina
que morava em frente e tinha uma bicicleta, com a qual dava voltas na calçada
do quarteirão. Eu via ela virar a esquina e ficava esperando ela reaparecer
do outro lado. Tinha também um velhinho estrangeiro que passava curvado
com um saco às costas, repetindo com voz surpreendentemente forte um
bordão que eu não entendia mas também não questionava:
“com-pá-ro-pá!”. E também o amolador de facas,
com seu carrinho de rebolo e sua gaitinha, bem mais simpática que a musiquinha
irritante dos “caminhões do gás” de hoje em dia. E
mais algum outro vendedor de serviços que se anunciava por uma matraca
estridente (ta-ca-ta-ca-ta-ca-ta). Lembranças...
19530xJL e jipe
No
quintal da Barão de Tatuí com “o jipe”, segundo carro
da frota (não contando os triciclos). A data é chutada – não
me lembro quando ganhei. Pode ter sido no meu 3º aniversário,
ou no Natal de 1952, ou até depois disso. As paredes atrás
são a do fundo e a da esquerda, junto à qual ficava o tanque
de lavar roupa, embaixo do telheiro que se apoiava na coluna que aparece à esquerda. Parece
que costumava faltar água, pois tem uma caixa d’água lá no
fundo. Junto à coluna, o fogareiro onde a empregada (a Ana Rosa,
que trabalhou conosco boa parte da minha infância) fazia sabão.
Sobre a Ana Rosa, minha mãe contava que um dia (quando eu devia ter meus cinco
para seis anos e já sabia ler) ela, que era analfabeta, teria comentado comigo
que não tinha aprendido a ler porque era muito difícil. Eu teria respondido
que ela sabia fazer uma coisa muito mais difícil. "O que é?", perguntou ela.
Eu respondi, muito sério: "Amarrar os sapatos!".
19531_ JL e trator
“O trator”, o terceiro da frota. Ganhei quando fiz 4 anos. Gostei muito, porque
com as rodas traseiras maiores ele corria bem mais que o jipe. A buzina
foi instalada depois. Estou na calçada em frente de casa. Ao
fundo, ainda em construção do outro lado da rua, um prédio
de apartamentos, o primeiro com garagem construído na Barão de
Tatuí.
19531_ JL coelho
No quintal, com a indumentária da apresentação de fim de ano da escola em que eu estudava. Lembro que ao final da peça, durante os aplausos, eu fui pulando em direção à ribalta, talvez pensando fazer uma reverência, e o pano fechou por trás de mim. Fiquei perdido até alguém abrir a passagem da cortina. O público morreu de rir e eu de vergonha.
1953 e 1954 G.E. Antonio Prado
Mais duas fotos da Vó Helena com seus alunos do Grupo.
195409 JL e Aba
Meu irmão Alberto de Barros Aguirre nasceu em 6 de março de 1954. Esta é a foto mais antiga com ele que encontrei. Estamos na lateral do quintal da Barão de Tatuí. Ainda pequeno, acho que logo quando aprendeu suas iniciais, ele mesmo escolheu “Aba” como o apelido que nunca mais o deixou.
19540x Aba, Pedro Ricardo e Avós
Minha mãe achava que nesta foto com meus avós, que ela obteve em xerox com meu tio João, estávamos eu, com aproximadamente 6 meses, e meu primo João Carlos, perto de 4. Mas eu concluí que é o Aba e não eu, porque: 1) parece muito mais o Aba do que eu; é só comparar a foto anterior e a de 195003, em que sou eu mesmo com 6 meses; 2) em 1950, quando eu tinha 6 meses, o canteiro central do quintal não tinha sido cimentado e estaria aparecendo ao pé da foto – ele ia até onde está o pé do meu avô; 3) eu já me entendia por gente quando a “escadinha da cozinha” onde eles estão sentados apareceu em casa – lembro-me de que achei um barato os degraus basculantes, que eram uma novidade; 4) meus avós parecem mais velhos do que nas fotos por ocasião do meu nascimento. O outro bebê da foto é com certeza o primo Pedro Ricardo, que nasceu em maio de 1954, dois meses após o Aba. Assim tudo se encaixa.
1955 JL, JC e JR
De novo os três companheiros, “estacionados” na frente da escada que descia para o quintal.
195510 Família Barros Aguirre
Minha irmã Ana Maria de Barros Aguirre chegou em 20 de julho de 1955. Aqui ela está com 3 meses. Atrás, aparece a “divisão” que meu pai fez alguns anos antes, a pedido de minha mãe, para isolar visualmente a sala de visitas da circulação entre a parte da frente e a parte de trás da casa.
195601 Barros, Fornaris e Aguirres
Esta
deve ser a casa de meus tios na Vila Galvão, em Guarulhos, onde eles
moraram com os filhos por vários anos depois de sair da “chácara”. Ainda
era longe, mas bem menos (lá, eu me lembro de ter ido várias
vezes; na chácara, acho que fui uma vez só). Meu pai deve
estar tirando a foto. De adultos, aparecem meus avós, meus tios,
minha mãe e a tia Lourdes. Das crianças, no chão
o João1Carlos, eu e o José2Roberto (só metade da cabeça);
no sofá, o Aba (no colo do vô), o Paulo4Eduardo (entre as pernas
do pai dele), o Antonio3Luiz e o Pedro5Ricardo (no colo da minha mãe);
atrás, minha avó carrega a Ana Maria e minha tia segura o João6Benedito. Os
números dos primos seguem a ordem de chegada. Na ocasião,
eram “apenas” seis.
19560212 Aba e JL em Serra Negra
Eu
já não era assim tão pequeno, e me lembro de ter ido mais
de uma vez a Serra Negra com meus avós. Quase todo dia tinha
passeio de cavalinho, charrete ou similar. Não me lembrava era
de que o Aba já estava junto. E não sei se a Ana também
estava ou ficava com meus pais em SP.
19560x Família Barros Aguirre
Num passeio, se não me engano perto do Estádio do Pacaembu. Pelas roupas, é inverno.
19560x Família Franco Fornari
Na escadaria de entrada do prédio quase em frente à casa da Barão de Tatuí, que estava sendo construído no final de 1953. Ainda são os mesmos seis do início do ano, mas tia Mara já trazia o sétimo a caminho, e depois dele ainda viriam mais cinco.
19560y Família Barros Aguirre + vó Helena
Em Suarão (Itanhaém), na casa de praia que lá construímos ainda não de todo terminada (faltava o muro da frente e outras coisinhas). Vovó de lenço na cabeça, Mamãe segurando a caçula Ana Maria, meu pai, eu e o Aba. A casa ficou na família até o início dos anos 80, quando já era pouco utilizada e foi finalmente vendida.
19561021 JL 1ª Comunhão



A 1ª comunhão foi na Igreja Imaculada Conceição
(av. Brig. Luiz Antonio?), junto com os coleguinhas da Escola Pio XII, onde
eu estudava, e que na época ainda era só um casarão na
rua de mesmo nome, no bairro do Paraíso, bem em frente ao palácio
episcopal. As fotos em preto-e-branco são da missa e da “concentração” antes
dela, no pátio da igreja. O “cenário” em cores
foi montado em casa, a posteriori. O pano de fundo foi uma colcha de
xenile da minha avó, e a imagem de São José é a
que ficou para mim, a pedido, quando eu já morava em Lorena e a casa
da Barão
de Tatuí foi desmontada para a mudança do resto da família
para o apê das Perdizes, em 1975.
19561x Família Barros Aguirre no Suarão
Na varanda da casa do Suarão. Existiam poucos vizinhos naquela época. A casa ficava na Av. Suarão, 3397, e do outro lado da avenida ficava a linha férrea da E.F. Sorocabana, que atravessávamos para ir à praia, distante uns 400 metros. Até comprarmos o primeiro carro próprio, em 1960, era de trem que íamos e voltávamos de Suarão. A estação ficava bem próxima, a uns 200 metros da casa.
1957 Casal Franco Fornari e pais
Na varanda da casa da Vila Galvão. Carlos e Irene Franco, pais de Tia Mara, meus tios e meus avós Helena e Roque.
1957 G.E. Antonio Prado
Tanto a professora quanto os alunos parecem contentes. Esta, acho que foi a última classe em que a Vó Helena lecionou antes de se aposentar. Como quase todas as classes que ela ensinou, é de 1º ano.
1957 Irmãos
Ana, Aba e eu no Suarão, em frente à Colônia de Férias do Banco Mercantil, que ficava defronte à praia. O que achávamos interessante, embora não dê para ver bem na foto, era que o telhado era verde.
1957? Pai e torno
Para
poder usar o torno como fresa em 3 eixos, meu pai projetou e adaptou a ele
a peça clara que tem a manivela em cima. Acho que ele esculpiu
um molde em madeira e encomendou a cópia em aço. O logotipo
em relevo que aparece na direita da peça é um “A” (de
Aguirre) estilizado que ele inventou. Ao fundo, aparece uma miniatura
que ele fez para demonstração
das cadeiras ortopédicas que ele construía, com todos os ajustes
e articulações do produto final. Na parede está um
exemplo do que ele conseguia fazer na tico-tico.
19571_ JL mordomo
Esse foi o figurino que vesti para a apresentação de fim de ano da escola, uma pecinha em que havia rei, rainha, princesa etc. e eu era o mordomo. Ao meu lado, o piano, adquirido poucos meses antes (um Sandoli, da Pianos Brasil, que também levei para Lorena). Foi um presentão de 8º aniversário, contra compromisso meu de estudar (eu queria originalmente só para brincar, como fazia no piano da Tia Colaca). Atrás do piano, a “divisão”. Ao fundo, a porta que dava para o corredor da frente, onde ficavam os quartos, e o saudoso telefone de parede, que tinha o número 51-5190. Na “divisão”, dá para ver uma foto da casa do Suarão já com o muro da frente.
19571_ JL mordomo 2
Outro ângulo
da mesma cena. Refletida no piano, dá para ver minha mãe,
próxima à porta do quintal. Atrás da “divisão”,
aparece um pedacinho da porta que dava para o corredor de trás, onde
ficavam a saleta de jantar, o banheiro e a cozinha.
195801 Aeroporto
Acho que foi quando faleceu meu “avô do Chile”. Foi em 10 de janeiro, quando estávamos todos no Suarão. Ao voltarmos, dias depois, meu pai encontrou o telegrama. Lembro que fomos com ele a Congonhas, para ele embarcar para o Chile, embora a essa altura Don Lucho já tivesse sido sepultado. Na foto, a boneca na mão de minha irmã é a “Celina”, que a acompanhou por muito tempo.
1958x Irmãos e piano
Eu, honrando meu compromisso com o piano, e meus irmãos no sofá. Parece que a Ana não gostou do que eu estava tocando...
1958x Irmãos na foto
Na mesma ocasião, foi tirada essa foto que foi usada como modelo para um retrato pintado a óleo que vem a seguir.
1958x Irmãos na tela
Era
um pintor chileno, Pedro Lobos, amigo de meu pai. Lembro que ele fez
algumas modificações depois da versão inicial ficar pronta,
tipo acrescentar um boné no Aba e mudar as roupas. Tivemos que
posar várias vezes para ele fazer as alterações, e não
gostávamos muito da história de ter de ficar imóveis.
1958x Lala Fornari
Eulália Fornari se fez freira redentorista de clausura em Itu, com o nome de Soror Maria Margarida. Esta foto é do dia em que completou 25 anos de vida religiosa.
1958x Visita Tia Lala
Provavelmente
por volta da ocasião acima, no parlatório do convento:Vô Roque,
Vó Helena, Maria Isabel e o marido, Carmo Perroni, mamãe e nós
três. Acho
que o vestido que a Ana está usando é o que serviu de modelo
para o retrato do Pedro Lobos. Entre
as visitas e as freiras havia duas grades paralelas, afastadas um palmo uma
da outra, para impedir qualquer contato físico entre os de fora e os
de dentro. Eu não entendia direito a lógica da coisa, porque
nas vezes em que a tia Lala ia nos visitar em São Paulo (quando ia fazer
consulta médica, por exemplo),
ela podia beijar e abraçar todo mundo, e vice-versa.
19590822 JL Crisma
Quem
me crismou foi
D. Antonio Maria Alves de Siqueira, então Arcebispo Coadjutor
na arquidiocese de São Paulo, que serviu também (idéia
da minha avó)
como meu padrinho de crisma, mas ele não está na foto, tirada
após a cerimônia. A
figura da esquerda é o Cardeal Motta, superior dele na época,
que também
estava presente na ocasião. A mulher ao lado dele é Eulália
Alves de Siqueira, irmã de D. Antonio e colega de minha mãe na
Faculdade, que está carregando a neta Amelinha. Os dois meninos
menores são o Antoninho e o Chiquinho, irmãos da Amelinha e colegas
de meus irmãos na escola. Os pais deles, Mariazinha (filha de
criação da Eulália) e Wanderly Fernandes, tinham uma casa
anterior à nossa em Suarão, e acho que através deles é que
resolvemos conhecer o local. Os
Fernandes mudaram para Campinas em 1966, quando D.Antonio foi nomeado arcebispo
daquela cidade, e o contato entre as famílias
diminuiu. Cheguei a ir no casamento da Amelinha, acho que no final dos
anos 70, e foi a última vez que os vi.
Esta foto estava em papel no “meu” álbum, mas só agora
vi que ela estava invertida! O lenço na minha lapela estava do
lado direito e os paletós masculinos abriam para o lado contrário. Nunca
ninguém notou isso! Outra coisa: esta é talvez a última
foto de meu avô. Ele morreria poucos meses depois. E, como
para se despedir, está olhando para a câmera – e sorrindo!
195x Carteirinha JL
Não me lembro quando, mas um dia meu vô Roque me deu esta carteirinha feita acho que por ele mesmo, com Agnus Dei, imagem da Sagrada Família e meu nome e endereço. Com sua letra caprichada, ele escreveu “José Luiz Fornari Aguirre”, como ele muito teria gostado que fosse.
1960 Família Barros Aguirre
Na praia do Suarão, aparecendo ao fundo a Kombi, primeiro carro da família, recém-comprada.
19600912 JL e a 1ª bicicleta
Sonho de infância, ganhei a minha quando fiz 11 anos. Era uma MercSwiss aro 24. Lembro que foi a primeira vez que voltei sozinho da escola, e ela estava me esperando no quarto, encostada na cama.
1961 Irmãos
Não sei se o ano foi mesmo esse. Esta foto esteve muito tempo num porta-retrato oval na casa da Barão de Tatuí. Minha mãe colocou no álbum “dela”.
1961? Alzira
Alzira de Campos era prima da vó Helena, não sei em que grau ou por parte de quem, mas ela morava com a também prima Diogina, filha do Tio Jeca, em Jundiaí. Depois da morte do vô Roque ela sempre descia conosco e a Vó para Suarão, para dar uma mãozinha. Ela faleceu em 15/7/1975, em Jundiaí.
1962 Nós 3, Papai e o Dauphine no Suarão
Ao lado da nossa casa, onde cresciam (em primeiro plano) um chapéu-de-sol e uma goiabeira. Na varanda, dá para ver a Alzira, prima de minha avó, indo em direção à porta. O Dauphine, minha mãe comprou em 1962 como segundo carro da família. Era pequeno, mas tinha 4 portas e nunca deu problema. Foi trocado em 1965 por uma perua Vemaguet, da qual não achei nenhuma foto.
1962 Nós 3, Papai e a Kombi no Suarão
Quando a Kombi foi para a funilaria depois de uma capotagem na volta da viagem que meu pai fez com ela ao Chile no início de 1962, ele aproveitou para dar uma incrementada, imitando o modelo luxo, com friso na cintura e pintura saia-e-blusa. A lambretinha o Aba ganhou acho que em 1961. Depois de tirar as rodinhas laterais, dava para andar nela como numa bicicleta.
19630720 Família Barros Aguirre
Casal e filhos na praia do Suarão, no dia dos 8 anos da Ana Maria (olhem os dedinhos!).
19630720 Família Barros Aguirre 2
Mesma ocasião e personagens, exceto que dois deles incorporaram o Tarzan.
1964 Irmãos
Na varanda da casa do Suarão. Não sei se foi nesse ano mesmo que o Aba pediu e ganhou um acordeon (na época chamávamos de “harmônica”). Mas quem mais aprendeu e utilizou fui eu. Também ficou comigo quando mudei para Lorena.
19670101 Família Barros Aguirre
Na frente da casa de meus tios, na Al. Ribeiro da Silva, 52. Todo primeiro de ano, eles reuniam a família para um almoço. Eu, por brincadeira, tinha raspado a cabeça. Eu ia começar o 3º colegial, e pensando no vestibular no final do ano, escrevi embaixo da foto: “I hope I’ll be like this again, this year.”
19691005 12 irmãos
O conjunto completo dos meus primos Fornari, em Aparecida. Na fila de trás, Pedro5Ricardo, João6Benedito, Antonio3Luiz (“Vivi”), João1Carlos, José2Roberto e Paulo4Eduardo. Na frente, Walter12Guilherme, Célia9Regina, Ana10Cecília. Maria8Aparecida, Carmem11Lia e Mário7Sérgio. Walter, o caçula, nasceu em 11/1/1963 e morreu em decorrência de câncer em 16/10/1980.
197006 Brasília – família Barros Aguirre
Em
frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, com minha vó Helena. Estávamos
participando de uma excursão de ônibus organizada pelo Liceu Coração
de Jesus, se não me engano. Foi um padre
com a gente. Lembro
que no
dia da volta estávamos atrasados com o horário e ele celebrou para o
grupo, antes do embarque, a missa mais rápida que vi na vida. Acho
que não
durou nem 10 minutos.
197006 Brasília – irmãos
Em cima do Congresso Nacional.
19710110 – família Barros Aguirre
Em
frente à Pampulha, em Belo Horizonte. Foi a última viagem
com a família toda. Meus pais se separaram no ano seguinte e meu pai
saiu de casa, mas continuou na firma do sogro do meu tio João,
onde já trabalhava havia alguns anos e permaneceu até se aposentar.
19730930a Aba no quarto
É no
quarto da frente, na Barão de Tatuí, onde na época dormíamos
o Aba e eu. Em
abril de 1973 fui a serviço aos Estados Unidos e só voltei em
setembro, se não me engano no exato dia do casamento de meu primo João
Carlos. Esta
foto é de alguns dias depois, tirada com uma maquininha Ricoh 500G
que eu comprei em Michigan. Meu
irmão
está passando
a farda do CPOR, que ele estava fazendo naquele ano. Se a folhinha perto
dele estiver certa, é o dia 30 de setembro. Atrás do Aba,
na parede perto da minha cama, está um quadrinho de São José que
minha avó me deu e que tenho até hoje.
19730930b Vó na cozinha
Esta é a cozinha da Barão de Tatuí, com minha vó Helena se não me engano começando a preparar o almoço do dia seguinte. O fogão, um Cosmopolita, já estava meio caindo aos pedaços, precisando até de um barbante para segurar fechada a porta do forno. Durante um tempo, ficou sobre ele um exaustor que acabou retirado, mas o suporte ficou. A porta que dá para o quintal ficava mais à direita.
19730930c Vó e Ana na cozinha
De outro ângulo, aparecendo a máquina de lavar Westinghouse Laundromat (sim, ela ficava na cozinha) e a geladeira. A vó continua mexendo com os ingredientes. Minha irmã tinha extraído um dente do siso e ainda estava de bochecha inchada.
19730930d Vó e netos na sala
Nos Estados Unidos mudei o penteado, passando a usar repartido, e engordei uns quilinhos. Esta foto é na sala de estar. A porta de entrada aparece à esquerda. A gente passava por trás do sofá para ir lá para dentro. Perto do banquinho que aparece à direita, ficava o telefone de parede.
19731_ JL no quarto
Estou na minha cama, com o criadinho que foi da tia Lourdes e um dos dois banquinhos que surrupiei do laboratório da Politécnica ao fundo (o outro estava perto do telefone). Agora estou começando a deixar crescer o bigode. O branquinho junto ao meu cinto é um chaveiro promocional da Anderson Clayton, em forma de ovinho, que eu usava. Dá para ver que eu tinha muitos livros de cabeceira e que usava desodorante Avanço. Por que surrupiei os banquinhos? Para serem colocados de cabeça para baixo e servir de suporte para dois atabaques que usamos num show montado pela comunidade de jovens da igreja de São Geraldo, que eu freqüentava na época. Eu tencionava devolver, mas acabei desistindo e levei-os comigo para Lorena.
19750512 Vó Helena 80 anos com filhos
Minha mãe e meu tio João organizaram um almoço com a família no Terraço Itália para comemorar os 80 anos de minha avó. Aqui o almoço ainda não começou.
19750512 Vó Helena 80 anos com todos
Aqui o almoço já foi. Estão todos os filhos e netos. Meus dois primos mais velhos já eram casados e levaram as consortes. Namorados e namoradas ficaram de fora. Sentados: minha irmã Ana Maria, mamãe, vovó, tio João, tia Mara, Helena (esposa do José Roberto) e o próprio. De pé: Carmem, Mário, Pedro, Vi, Dito, Maria, meu irmão Alberto, Célia, Paulo, Walter (atrás da tia), João, Beth (esposa do João), eu (já com barba e sem os quilos a mais) e Ana.
197x Helena
O último retrato 3x4 tirado por minha avó, para a carteirinha de beneficiária do INPS. Essa foto, minha mãe colocou num pequeno porta-retrato depois que minha avó faleceu em 1979, junto com uma frase de Péguy: “Mas esta luz também conheceu a noite. A noite que lhe fez nascer a esperança, porque a esperança é como uma luz que atravessa a escuridão da noite.” Muito bonito foi também o texto que minha irmã escreveu no “santinho” de minha avó: “De sua longa passagem, em seus múltiplos papéis, fica em cada um de nós a lembrança, a saudade e uma semente com raiz. A certeza de que atingiu a sua paz. A mensagem de que a vida é uma etapa, e que ela a completou integralmente.”
-.-.-